terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

The Lodger: A Story of the London Fog (1927) - Dir: Alfred Hitchcock



The Lodger: A Story of the London Fog (1927) - Dir: Alfred Hitchcock
 
Cinema Mudo, 1.33:1, Monocromático.


É teoricamente o quinto filme do diretor, embora Number 13 (1922) nunca foi completo e The Mountain Eagle (1926) foi perdido, então The Lodger é considerado o terceiro filme de Hitchcock.
O filme se passa na Londres dos anos 1920, num clima do Jack, O Estripador. Possui poucas locações: uma em Embakment, alguns takes de ruas londrinas, e alguns cenários como uma casa de vários andares com quartos (hotel),  gráfica de um jornal, camarim, passarela, uma mansão (que também é utilizada como hospital).
Somente 5 atores são creditados, o pai e a mãe, a filha, o policial e o inquilino. Porém outros extra/figurantes aparecem no filme, inclusive o próprio Hitchcock fazendo uma ponta na sala de imprensa.
O filme começa com uma montage bem ao estilo russo. E depois segue de uma forma mais linear e tradicional. Os cortes são bem rápidos e com uma ótima fluência, quase não há movimento de câmera, exceto alguns pans e tracking shots.  Não lembro de nenhuma grua. É um filme muito apoiado na edição, com a câmera estática e um blocking bem preparado.
A primeira montage é bem escura, dando uma sensação de noite/mistério interessante. Algumas sombras e contrastes nesta primeira parte.Entretanto o filme quase sempre usa luz difusa, geralmente com 3 pontos de luz e com pouco contraste entre as luzes. Tudo quase sempre está muito bem iluminado. Filtros estrela são utilizados em momentos de “glamour” e também para mostrar a sabedoria da mãe, que tem os olhos com duas estrelinhas num momento de insight.
Outro detalhe, bem típico dos filmes do Hitchcock, é mostrar o personagem primeiramente com uma luz de alto contraste, ou somente sua silhueta. Isso cria uma identificação negativa com o personagem, “ele é do mal”, e passamos o filme achando q ele é do mal, mas na verdade no final mostra que ele é do bem. O contrário também acontece, como Norman Bathes em Psycho que parece ser um típico jovem normal.
A cor do filme é basicamente sépia, com algumas cenas noturnas em azul, a do hospital em magenta e a mãe acordada durante em noite em P&B. O magenta da uma sensação de renascimento, porém não combinou muito bem com o hospital, que é conceitualmente branco, pelo menos nos dias de hoje. O P&B cria um contraste muito bacana, com luzes bem dramáticas e com alto contraste. E o sépia da uma tonalidade de luz de lareira, aconchegante.
O filme possui efeitos bem interessantes, como os inter-títulos (tão comuns no cinema mudo) na forma de um telex, dando as notícias. A sobreposição de imagens do lustre balançando e os passos no andar de cima, esta imagem deve ter sido feita com uma câmera embaixo de um vidro, no qual o ator caminhava.
O tempo é cronologicamente linear, exceto por um flashback no final do filme.
É nítida as influências do expressionismo alemão neste filme. Não chega a ser uma mega produção como os filmes de Murnau, no quesito orçamento é muito modesto, mas a ideia de contar uma história através de imagens e não através de diálogos está ali. Existem poucos inter-títulos para os diálogos e a cinematografia se encarrega  de contar a história. Observando a filmografia do Hitchcock vemos que a falta de diálogos em favor da cinematografia vem a se tornar uma característica dos filmes do diretor. Como Truffaut disse: "Se, inesperadamente, o cinema perdesse todo o seu som e se tornasse mudo novamente, muitos diretores perderiam seus empregos. Menos Alfred Hitchcock (...)"
Nos anos 20, o filme não contava com uma trilha sonora composta especialmente para o filme (o som sincronizado no cinema estava com seus primeiros grandes lançamentos em Hollywood), oH cada cinema tinha a sua própria orquestra/músicos que improvisavam ou utilizavam de composições já existentes como trilha sonora. Isto fazia com que a experiência de ver um filme em um determinado cinema ou outro fosse muito diferente. Para as versões em VHS e DVD foram compostas diferentes trilhas sonoras, algumas com uma sonoridade muito pop para meu gosto, e para a versão restaurada de 2012, lançada pelo BFI, Nitin Sawhney é o responsável pela trilha. Portanto existem várias versões de trilhas sonoras para este filme em circulação.
Também existem várias versões de cortes, com diferentes durações. Desde 67 minutos até 98 minutos totais de duração do filme.
É um ótimo filme, com uma bela cinematografia e roteiro. E os principais elementos e características do diretor já estão presentes no filme.


Link para IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0017075/?ref_=fn_al_tt_2

PS: O filme pode ser encontrado no Youtube em algumas versões.

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